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sexta-feira, 24 de Outubro de 2008sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

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Que fiz

  Entrei bastante tarde no mundo das tecnologias, meu 1º PC foi um 486 que depois passou para 586 e que servia quase exclusivamente para jogos.

  Mais tarde entrei em contacto com a internet e ai meu mundo começou a expandir, embora mesmo ai sem nunca entrar em contacto directo com as TI.
  Ao chegar ao 10º ano, optei pela área de Informática, embora na altura nunca me tenha passado pela cabeça até onde podia ir, nem o que queria ao certo.. andava à deriva..perdido e isso reflectiu-se no final do ano..reprovei e tive que repetir o ano.
  Depois disso fui bem até ao 12º e ai voltei a repetir o ano, já não pelos mesmos motivos, mas por pura incapacidade..esforcei-me é certo, mas sem método de estudo, sem sistemática e no fim a recompensa foi repetir o ano.
  Repeti e conclui o 12º, candidatei-me ao ensino superior na 2ª fase, mas por azelhice minha e por total desconhecimento do que estava a fazer, acabei não entrando em lado nenhum, ficando mais um ano "parado".

  No ano a seguir tento de novo e ingresso na ESTG Leiria (isto em 2001), no curso  Engenharia Informática.
  Entrei num mundo novo, fora da alçado dos pais, em que tive que aprender a desenrascar-me sozinho, arrumar a casa, cozinhar, gerir meu dinheiro, etc.
  O inicio da minha vida académica foi engraçado, integrei-me bem nas praxes e com os meus colegas e entendi bem o que a praxe realmente é para o que serve.
  Foi ai que entrei em contacto directo com o mundo da programação. Minha 1ª cadeira de programação foi em C++. Conseguia perceber bem o que se estava a fazer até determinado ponto, a partir do qual o avião começava a levantar e eu ficava para trás..
  Foi uma característica que me acompanhou quase até ao fim da minha vida académica, como muitos mais julgo, começava bem mas depois com as dificuldades não tinha a presença de espírito de ir à luta, procurar, experimentar, bater com a cabeça na parede, desesperar e por fim sentir aquela gozo e satisfação por ter conseguido o que queria..
  Estive lá ano e meio após o qual desisti de estudar (isto em Fevereiro de 2003).

  Fui trabalhar a tempo inteiro, mas algo me inquietava..não me sentia bem comigo mesmo..pensava para comigo "tu até podes vir a ser alguém na vida, mas vai-te faltar sempre algo, vais sentir sempre aquele vazio ai dentro"..muito pensei e cheguei à conclusão que era aquilo que havia deixado.. não as festas, ou as queimas, ou o convívio, mas sim o concretizar de um sonho (meu e da minha família), que me permitisse ser alguém na vida, me permitisse sentir-me completo, "become full circle".
  Após muitos meses a pensar (sim foram mesmo meses), medindo os pós e contras tomei a difícil decisão de voltar a estudar e ingressei na Universidade do Minho, em Informática de Gestão, agora Licenciatura em Tecnologias de Sistemas de Informação (LTSI).

  De certo modo acabou sendo um choque o regresso à vida académica. Ali estava eu com 24 anos, com colegas quase todos na casa dos 17/18/19 anos, senti realmente uma diferença grande ao nível de mentalidade, gostos, maneiras de ser, não pelo facto de ser mais velho, mas pelo facto de ter vivido mais, ter feito coisas que muito deles nunca fizeram e isso acabou por constituir um factor de diferenciação. Nunca estive verdadeiramente afastado, mas também nunca estive verdadeiramente lá dentro (com algumas excepções claro). Minha preocupação principal era apenas concluir minha licenciatura o mais rápido possível.

  Meu 1º ano superou todas as minhas expectativas, 10 em 10. Após o fracasso que foi em Leiria, fazer tudo à 1ª foi algo que não esperava e soube bem.
  Foi um 1º ano com algumas surpresas para mim, meu desempenho em todas as cadeiras que tivessem a ver com Matemática e Álgebra aumentou consideravelmente em relação ao que era no ensino secundário e até em Leiria. Gostava imenso de estudar para essas cadeiras, não dava pelo tempo a passar e de grosso modo consegui tirar boas notas e sentir prazer no que fazia.
  Também notei diferenças no meu empenho, aumentou exponencialmente, tudo que me era possível fazer (ao nível de preparação) eu fazia, a diferença em relação a Leiria, era que meu método era melhor e os resultados outros.
  Comecei de novo pelo C, e embora tenha passado às cadeiras, não o foi por mérito próprio. Como é costume nestas cadeiras (agora chamam-lhe unidades curriculares), a avaliação é dividida em componente prática e teórica e o meu 1º professor foi o famoso e temido RMAC (Prof. Ricardo Machado). Com o tempo vim a saber que estava ali um homem extremamente competente, com um curriculum muito bom, mas também extremamente exigente.             

  Confesso que foi dos professores de programação que menos tive em conta, aquilo que nós alunos nos habituámos a dizer "é óptimo tecnicamente, mas mau a passar conhecimento, e sofrível a nível pedagógico). No entanto uma coisa o professor RMAC meteu na minha cabeça. Um bom programador começa sempre seu trabalho, através de um bom algoritmo. Tendo um bom algoritmo e conhecendo a linguagem, mais de 50% do trabalho fica feito. Essa mensagem ele conseguiu passar para mim.
  O nosso trabalho prático lembro-me de ser extremamente exigente para alunos que estavam a entrar neste mundo, e tenho a certeza que 90% ou mais dos que passaram ao mesmo (eram grupos de 3/4 elementos) o fizeram sem mérito próprio (eu incluído).

  No 2º semestre o professor mudou e passou a ser o professor Filipe Sá Soares. Excelente professor, também ele muito dotado, inteligente, conhecimentos até dizer chega, mas com uma diferença enorme em relação ao professor anterior. Conseguia prender a atenção dos alunos e com o seu método de ensino, conseguia por os alunos a trabalhar, além de ter uma característica fantástica..se fosse preciso explicar a mesma coisa 10 vezes, 10 vezes a explicava.

  No 2º ano entrei em contacto com o mundo da programação orientada a objectos, o famoso JAVA. O professor mudou, e passou a ser o professor Miguel Calejo. Ponho o professor Miguel Calejo, na linha do professor Ricardo Machado, extremamente competente e dotado, mas incapaz de conseguir por interesse nas aulas ao ponto de pôr a cabeça a funcionar daqueles alunos que ficam sempre atrás.
  Esforcei-me mais que no 1º ano, mas pura e simplesmente não consegui meter o mundo JAVA na minha cabeça, era abstracto de mais para mim. Notava isso nas aulas práticas, quando num exercício eu conseguia fazer algo, e no seguinte enquanto eu ia pelo caminho mais longo (seguido no exercício anterior), o colega do lado fazia o mesmo exercício mas de uma maneira bastante mais rápida e directa.. Aprendi que essa ginástica mental é inapta para uns, enquanto para outros só surge com o trabalho, com a experiência, com a perseverança.

  O 2º ano não correu tão bem como o 1º, tive que arranjar um part-time que em parte não me ajudou, mas por outro lado, não fui tão bem sucedido não só pelo aumento das dificuldades que algumas cadeiras apresentaram, mas também por incapacidade minha.

   Fui para o 3º ano com 14 cadeiras para concluir a licenciatura. Foi um ano muito mas muito trabalhoso, andei 4 meses a dormir 4/5 horas por dia, mas um ano que adorei.
  Foi-nos posto em cima dos ombros pelos docentes, uma carga de trabalho gigante, em que fomos "obrigados" para os que ainda não o sabiam, a aprender a trabalhar em grupo, gerir recursos, tempos, prazos, cansaço, etc.
  Foi uma experiência extremamente gratificante, e foi na verdade ai que comecei a apaixonar-me pelo mundo das TI.
  Trabalhei em Oracle (fiz um portal), Navision,SAP,SQL,Prolog, entre outros.

  Dois dias após meu ultimo exame no 2º semestre (isto em 2007) fui estagiar para a Exact Software, uma multinacional holandesa de ERPs. Foi aqui que entre mesmo no mundo das TIs e onde comecei a adquirir algumas competências.
  Era uma empresa que estava em Portugal à menos de 5 anos (empresa com menos de 15 elementos), mas que registava ano após ano, o maior índice de crescimento das empresas de TI em Portugal e na própria Exact. A Exact tinha 2 produtos, uma ferramenta de front-office (e-Synergy), uma espécie de portal/intranet muito desenvolvida e completa e uma ferramenta de BackOffice (o vulgo ERP, Exact Globe).
  Ingressei no departamento de desenvolvimento e suporte, minha tarefa principal era a de dar suporte aos clientes e paulatinamente desenvolver também.
  Passei por muitas das situações que já tinha ouvido falar sobre empresas pequenas.
  Não havia um plano de formação para novos colaboradores, foi um dos colaboradores que já lá estavam que me deu alguma formação ao inicio. Eles desenvolviam código sobretudo em VB6, e ao nível de BDs usavam SQL 2000 e SQL 2005.
  Considero ser uma excelente escola, pois devido à enorme falta de recursos, cada colaborador tinha que estar em múltiplas frentes, e fazer várias coisas ao mesmo tempo, ao invés de concentrar numa coisa especifica.
  Foi trabalho árduo como costuma ser, trabalhar 10/12 horas por dia (quando nos deixavam ficar lá), coisas para entregar na semana passada, enfim o menu completo.
  Havia uma boa camaradagem entre a maioria dos colaboradores, e deu para sentir na pele um dos estilos de gestão e liderança usados neste tipo de empresas.
  No meu percurso académico, consegui aperceber-me que existem inúmeras maneiras de liderar, de motivar, de fazer as coisas e claramente não me identifico com esta. Acredito que se uma equipa dá a ganhar algo à empresa, a empresa deve retribuir. Se aumentando os incentivos contribui para um aumento da produtividade, qualidade e eficiência do trabalho efectuado pelos colaboradores, então é isso mesmo que se deve fazer.
  Foi uma experiência muito boa, com parte boas e menos boas, mas todas elas gratificantes. Foi sobretudo na Exact que adquiri certas autonomias, gostos e conhecimentos não só a nível de programação, mas também do que me esperava e sobretudo passei a saber mais o que queria para mim.
  Passei a saber usar a Internet muito mais do que até então, a procurar resposta para as minhas duvidas, a saber desenrascar-me sozinho. Ganhei bastante autonomia durante a minha estadia na empresa.
  Trabalhei na Exact quase até ao final do ano, naquele que era o meu ultimo ano, com 3 cadeiras para concluir, todas elas de programação.
 

  A todos os docentes propus um método alternativo de avaliação, a realização de um trabalho prático individual que substituísse o sistema de avaliação normal.
  No 1º caso foi-me dada a possibilidade de escolher o tema do trabalho e a linguagem a usar. Optei por fazer um programa que simulasse o funcionamento de um disco FAT e de um disco NTFS, permitindo a comparação entre estes em tempo real.
  Debati-me ao inicio em escolher a linguagem com que iria trabalhar, 1º tentei usar o Access, depois usar uma BD em Access e o resto no vb6 (usando os conhecimentos adquiridos na Exact) e por fim optei por fazer o projecto usando o VB do Excel, deu bastante trabalho, mas no fim fui recompensado com um bom trabalho, uma boa nota, e mais conhecimentos adquiridos.
  No 2º caso, entrei pela 1ª vez em contacto com a linguagem C# no Visual Studio 2005, o trabalho era o de criar um chat. Gostei imenso de trabalhar no Visual Studio e do C#, é uma linguagem parecida com o VB, pelo que me custou menos a entrar nela.
  No 3º caso com o professor Miguel Calejo, tive mesmo que ir a exame. Foi a 1ª vez que eu verdadeiramente me dediquei ao estudo da linguagem JAVA e senti também aqui algo que ouvi muitas vezes, a linguagem pode mudar, mas a maneira de pensar não muda muito. E assim foi, não virei craque, mas de repente as coisas passaram a ser bem mais intuitivas, conseguia encaixar mais depressa e conseguir por mim próprio descobrir alternativas, outras maneiras de fazer as coisas, depois tinha naturais dificuldades em passar isso para o código, mas nada do outro mundo, com o tempo as coisas fizeram-se.

  Quando fiz este ultimo exame, já estava na Blaupunkt Auto Rádio Lda, no departamento ICO (Information Coordination & Organization). Meu trabalho aqui não tem nada a ver com programação, combato inúmeras frentes. Trabalho no âmbito do SAP Security, gerindo acessos, roles e ajudado a organizar o departamento e a informação existente. ICO é o departamento que avalia os IT Project Requests, que faz a análise custo/beneficio e que no fim decide se o projecto avança ou não. Além disso colaboro em inúmeras outras frentes que não vale a pena falar agora.
  Empresa totalmente oposta à Exact, mais de 2000 colaboradores, muito menos stress, muitas mais regalias, mais e melhor formação, enfim totalmente diferente da Exact.
  Tenho um chefe alemão 5 estrelas, com o qual muito tenho aprendido. Mudou um pouco a minha maneira de ver determinadas coisas, de fazer outras, aprendi com ele que muitas vezes o principio "simples é o melhor" é o melhor caminho a seguir.

  Sinto no entanto falta da programação e para me entreter, vou fazendo brincadeiras em casa. De momento estou a fazer um programa de gestão para uma loja totalmente em Access.
  Paralelamente consegui aqui na empresa que me fosse destacado a reestruturação do portal de um departamento próximo do que trabalho, e elaboração de um portal do departamento que eu faço parte (não tinha).

  Meu presente é esta empresa, a qual me encontro a 1 mês de concluir meu estágio.

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